Estive a trabalhar em Setúbal durante o Verão inteiro do ano passado.
Mas não conheço a cidade. Era apenas trabalho-casa, casa-trabalho.
No entanto eu nunca, mas mesmo nunca, me senti tão amada, tão desejada, tão bem tratada até hoje, como me senti lá.
Era uma química muito forte, aquela que tinha com os meus colegas e com os meus superiores. Como se nos conhecessemos há anos, desde sempre.
O momento da despedida foi muito doloroso. Muitas lágrimas, coração triste e apertado, olhar fechado.
Desde então os convites para voltar aparecem uns atrás dos outros, ou porque alguém se demitiu e abriu uma vaga, ou porque a equipa sem mim não está completa, ou por isto, ou por aquilo.
E a verdade é que aqui, no meu cantinho, não me sinto feliz. Profissionalmente está a ser um autêntico fiasco. Trabalhei tanto, durante tanto tempo, para nada. É assim que me sinto. Aprendi muito, imenso, aprendi mais em 5 semanas de implantação de loja, do que aquilo que iria aprender num ano cá fora, tenho plena noção disso. Mas será que agora que melhorei em vários aspectos, não seria a melhor altura para voltar? Para voltar ao cantinho de onde provavelmente nunca deveria de ter saído? Para voltar para os braços de quem sempre me deu valor, desde o primeiro segundo, o primeiro instante? Se ninguém é insubstituível, porque é que a maré me tenta arrastar sempre para lá?
Estou confusa, cheia de dúvidas e com muito medo, mas provavelmente, e se deixar o coração tomar a derradeira decisão, vai ser a maior mudança da minha vida.
Mas quem não arrisca...